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E se a barbie não existisse?

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Por B.Doll

Um dia um amigo lançou na mesa do boteco “o mundo sem barbie seria muito melhor” – ressalto, um homem que disse isso! Achei a frase muito interessante e com frequência ela volta aos meus pensamentos.

Vaidade

Procuro me manter na tentativa de ser maior do que as coisas que me atormentam, tentando me sentir bem fisica e mentalmente sempre. Aprendi que vaidade e beleza são conciliáveis com conhecimento. Que gostar de se arrumar e sentir bonita não significa, necessariamente, ser fútil. Para algumas pessoas isso pode ser óbvio, pra mim não foi durante muito tempo.

Claro que todos temos nossa vaidade – dizer que não é uma grande auto-enganação, na minha opinião. Afinal, você se preocupa em ficar a vontade no próprio corpo, seja usando roupas rasgadas, seja usando roupas de grife, usando enormes decotes ou somente golas rolês.

Já quis ser uma barbie?

Brinquei muito de barbie e se um dia tiver uma filha, e ela quiser, não a proibiria de brincar. Mas acredito que talvez eu fosse mais bem resolvida em algumas coisas se a barbie não tivesse sido tão presente na minha vida. Muitas vezes, sem nem me dar conta, me vi quase tentando ser uma barbie – olha que não sou das mais vaidosas, muito pelo contrário. Mas já quis ter cabelos longos, loiros, lisos, olhos claros, todas aquelas curvas e traços “perfeitos” (as aspas porque hoje tenho outro conceito de perfeição).

E o fato de não conseguir, claro que nunca consegui chegar nem perto, me deixava extremamente insegura em relação a minha aparência. Por mais que tentasse, nunca via uma luz no fim do túnel. Isso se misturava com o fato de eu ter uma grande preguiça de grandes esforços – meu esforço se resumia a fazer escova no cabelo, não existia chapinha ainda.

Mas o conflito interno era grande. Sou de uma família que sempre valorizou muito o conhecimento, a leitura, os estudos.  Muito mais do que a aparência. Então ficava ansiosa em conseguir ser linda como uma barbie, mas inteligente como uma das mulheres da minha família que tinha como referência. No fundo, me sentia culpada por me preocupar tanto em alisar o cabelo, não recebia apoio nisso. Hoje, agradeço pela falta de apoio na hora de fazer escova, e pelo apoio na hora de aprender a valorizar o que tenho. Mas vejo vestígios do meu tempo de cabelos lisos, às vezes me pego, ainda, “desconfiando” da opinião da minha mãe sobre minha aparência – não só por “mãe ser mãe”.

Enfim, talvez fosse mais fácil não fazer disso um conflito comigo mesma se não me apegasse tanto às minhas barbies. Não desse jeito, pelo menos. E a verdade é que nunca quis ser uma boneca. E tudo que faz as mulheres caminharem pra isso, me incomoda profundamente.

Boneca espera seu príncipe encantado

Aí me pergunto: e os contos de fadas? Também fazem isso comigo? Ah, com certeza. Que mulher nunca se flagrou “esperando” um príncipe encantado? Ok, provavelmente você nunca esperou um cara com aquela roupas esquisitas num cavalo branco, mas a sua versão de um príncipe encantado.

E, com certeza, já sofreu muito de amores quando descobriu que aquele cara lindo, legal e que te amava, não era tão lindo, nem tão legal e talvez nem te amasse. Ou seja, aquele príncipe encantado era, na verdade, um nojento sapo.

Pra mim, uma pessoa que cresceu amando barbies e contos de fada e revistas de meninas, é esquisito pensar isso. Mas não consigo deixar de me perguntar, desde aquela conversa de boteco, e se a barbie não existisse?

Argh!

Pedido do TodasNós: Achamos que esse tema merece atenção. Então, gostaríamos de pedir a colaboração de vocês – meninas E meninos. Gostaríamos de saber o que pensam sobre o assunto, se têm alguma informação, texto, história, causos, perguntas, ideias que possam compartilhar, mandem para blogtodasnos@gmail.com. Mais pra frente, assim que possível, faremos um novo post com o material que recerbermos. E já agradecemos =)

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  1. Olha me desculpe,bem eu sou uma menina ainda tenho 11 anos então eu gosto muito da barbie e acho q devemos gostar da barbie ,bem eu sei q ela possa tipo ensinar como a vaidade éimportante e sei q o que tem na gente q émas importante,a barbie é um ensinamento de vc ser mais feminina eu gosto muito da barbie tenho um quarto todo rosa com escrivaninha tudo da barbie pq eu adoro ela e acho q se a barbie nao existisse pense como as cranças iam ficar sem, pois o mundo ia precisar de um pouco de rosa.PENSE NISSO! OBRIGADA

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  2. Breno Machado

    Eu realmente gostei bastante da sua opinião sobre este tema. E pensar que isso surgiu numa conversa de boteco! Feminista – como costumo dizer que sou -, sempre procuro em blogs coisas interessantes para ler e, sinceramente, este foi o tema que mais me chamou a atenção na maioria dos que li; a banalização da imagem da mulher, na minha opinião, é feita desde aí: desde querer vestir a Barbie com lindas roupas decotadas, ou sonhar com aquele príncipe encantado estilo “Ken” que, muitas vezes, não vem. Não sei, sinceramente não sei, o porquê que muitos pais não influenciam as crianças, ao invés de comprar-lhes bonecas para trocarem-lhes as roupas, a assistirem, por exemplo, “Mulan”: uma mulher que mudou de identidade, entrou no exército chinês, lutou numa guerra e salvou sua nação – não sei o porquê de alguns pais não influenciarem suas filhas a inspirarem-se nisto. No ideal de uma mulher forte e que anda sobre os próprios pés, e não necessariamente sobre um salto de 10cm. Eu realmente tenho medo dessas pequenas as quais se inspiram em Barbies; tenho medo do soco que elas levarão ao descobrirem que a vida muitas vezes não é estar sempre “fashion” e com quilos de maquiagem no rosto.

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  3. Infelizmente algumas familias permitem que suas filhas sejam influenciadas pelo capitalismo consumista que sutilmente sem que percebemos (em algumas da s vezes) inseri nelas o desejo de ser perfeitas atraves do consumismo banal!
    Ser vaidosa não se resumi apenas na aparencia , acredito eu na vaidade intelectual onde á cuidados no quesito conhecimento, na juventude reflete essa ideia de que mulher precisa essencialmente de salto,maquiagem e roupas de marcas ( basicamente é o que a barbie passa) ,namnorado perfeito e a parte intelectual,conteudo fica de lado ( não generalizado).
    Na faculdade uma amiga minha prefere chegar na segunda aula( quase todos os dias ) para se maquiar , ela sai do emprego e corre para banheiro para se maquiar ( ela leva chapinhaaa!) .
    Enfim não que a barbie tenha toda parcela de culpa , mais existe uma concientização que vem a partir da familia e escola , que mulher bonita não é aquela apenas de maquiagem e salto alto , acima de tudo eo conteudo e sua independencia.

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