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“Pequenos” machismos

Publicado em

Por Dona Maria


Todo o dia, nos mais variados lugares e cotidianos, é fácil encontrar exemplos de machismo. Muitos deles estão tão enraizados que a dificuldade é nos darmos conta de que aquilo é, sim, machismo. Mesmo que “menor”.

No trânsito, por exemplo, é impressionante. Eu tinha um carro “de homem”, uma caminhonete daquelas pequenas, e como nem sempre podem ver quem está dirigindo, imagino que as pessoas viam o carro e partiam do pressuposto de que era um homem. Os carros me respeitavam mais, me davam passagem com mais frequência, se eu dava seta para mudar de faixa, raramente me atrapalhavam… Agora tenho um carro “comum”, não sei dizer se é “de mulher”, mas as coisas não estão mais tão fáceis pra mim, isso eu garanto.

Quantas vezes você viu um motorista xingar alguém que demorou um pouco mais pra passar num cruzamento que não tem farol, ou que não fez uma baliza com facilidade, de “dona maria”? Confesso que não entendo muito bem por que isso é um xingamento, mas isso é outro assunto.

Ah, os duendes…

Outro cenário comum é o dos duendes. Vou explicar. Toda mulher que tem que dividir espaços com homem com certeza já viu. Seja em casa, no trabalho, numa viagem, não tem lugar nem hora certa.

Aqui onde trabalho tem muita mulher. A casa é aconchegante, agradável, mas simples. Pequena, com uma micro-cozinha que, obviamente, é de todos. O combinado é o básico: sujou, lavou. Claro que isso nem sempre é cumprido por todas como deveria, mas normal. Basta uma pessoa largar uma coisa suja pra louça se acumular. Quando todos lavam o que usaram, a pia se mantém vazia. Na verdade, quase sempre. Por que se todas as mulheres daqui lavarem o que usarem, com certeza se algum homem usar algo, vai ficar largado. Largado, sujo, e com mais um sinal que deixa claro que quem não fez a sua parte, não tem mesmo o costume de fazê-la: deixa no lugar que mais vai atrapalhar quem quiser lavar e sem enxaguar. Nem uma aguinha. E se tiver restos de comida, nada de lixo, vai pra pia junto.

Daí, no dia seguinte, nós chegamos e uma mágica parece ter acontecido: tudo está limpo novamente! Só podem ter sido os duendes.

Lógico, os duende existem nas casas também. E como trabalham! Até mais, acredito. Afinal, se no lugar de trabalho, onde, teoricamente, nos sentimos menos a vontade do que em casa, imagina a falta de cuidado como aumenta. Além do que, em casa temos fatores muito além da louça… Poucos homens trocam o rolo de papel higiênico quando acaba, certo?Se uma tarefa simples como essa não é feita, imagina cuidar da roupa – lavar, passar, guardar, costurar – , arrumar a cama, limpar, cozinhar, dar comida pro bichos, olhar as crianças, fazer compras, ir ao banco… ufa! Santos duendes!

Que fique claro

Esse tipo de situação não é resultado apenas do comportamendo dos homens – e nem de todos os homens, óbvio. Não é novidade que existem (muitas) mulheres machistas. E, não raro, são elas mesmas que criam esse tipo de situação. Algumas vezes com a desculpa de que “se não sabe fazer, melhor não fazer”, sem nem se questionar por que elas sabem e eles não, algumas vezes é só pelo lado mais maternal, de cuidar – sem se questionar o que isso significa. Enfim, as explicações possíveis são muitas. Mas o mais importante não é achar explicações, e sim fazer isso mudar. Embora eu acredite que algumas explicações podem ajudar a encontrar maneiras de fazer diferente.

Primeiro passo para mudar é conseguir enxergar esses machismos camuflados.

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