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O que eu quero comer hoje? (Ou, eu quero ser comida hoje?)

Publicado em

Por Magali

No meu sonho de mundo ideal, as mulheres lidariam com encontros da mesma forma como lidam com o vestuário… ou com a alimentação.

hummm…. o que eu vou comer hoje?

(Gostaria aqui de poder dividir meus devaneios sobre os encontros especiais, aqueles realmente relevantes quando a única certeza é de que aquilo ali não é trivial e de que não há fórmula que explique o momento no qual os dois seres compartilham seu tempo. Óbvio que eles são raros! Mas não é por isso que não vou falar deles agora. Não é por sua singularidade, mas é que eu acho que as mulheres da nossa geração estão longe de ter o grau de sofisticação e maturidade emocional necessário pra falar descompromissada e abertamente sobre… amor. Back to basics, andei observando o cotidiano).

Há coisas óbvias na vida que são ignoradas.

Se você vive no planeta Terra ocidental urbano, no final de 2010: sim, sempre vai ter alguém querendo te comer!

Considero as diferenças culturais e os delays entre gerações. Mas se você está online e chegou aos primeiros posts deste blog: respeite a minha inteligência, você sabe que sempre vai ter alguém querendo te comer!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nós mulheres investimos uma energia desnecessária (aprendi a chamá-la de erro de custo emocional, que, veja bem, deveria ser passível de multa – como em caso de excesso de consumo de luz) para determinadas escolhas cotidianas.

Para os dias nos quais temos atividades definidas, é algo mais ou menos assim: o que eu vou fazer hoje, onde estarei, com quem, o que eu vou comer? Daí sempre há uma barrinha de cereal na bolsa, o chocolate do “eu mereço”, a torrada de arroz, se você for vegan ou celíaca ou natureba and so on...

Decidir o almoço é algo automático, mas é gostoso e prático, se for sincero.

“Detesto comer em shopping, vai lá!”

“Trouxe um sanduba de casa”.

“Faço questão de colher a salada de minha horta orgânica que plantei na varanda”.

“Minha vida por uma picanha sangrando”.

E ainda abrimos mão de nossos desejos do paladar (necessidades da alma, restrições biológicas… ignoramos a conta em vermelho), pra ir comer com a turma. Nossos queridos comensais-amigos.

Comer: duas das melhores coisas da vida.

Mas as orgias sexuais são menos frequentes que as gastronômicas. Daí vale pensar sobre teus encontros: você pode ser comida se – e como – quiser.

Sim, aquele ser quer te comer.

Ninguém pergunta tantas vezes sobre teu trabalho, teu cachorro, elogia teu esmalte colorido, se não houver uma alma faminta fabricando perguntas minimamente interessantes para manter contato para, asap, te comer.

Delícia.

Coisa gostosa.

Bom demais alguém com baba na boca te imaginando como um bife mal passado, ou uma manga exótica, né?

Superamos isso?

Próximo passo?

Você quer que essa pessoa te coma… hoje?

É, minha querida adulta, é uma escolha.

Mande a chapeuzinho vermelho indefesa ir catar raízes no bosque encantado. Desperte o ser prático e cosmopolita dentro de você e pergunte pra sua vagina: você quer ser comida por esse ser hoje?

Daí você conduz o encontro.

É, meu bem, você vai se encontrar com essa pessoa. Se ela tem teu telefone, sabe o nome do teu cachorro… e quer te comer, aposto que as esquinas onde vocês vão se esbarrar só acabam de duas formas: se o apetite acabar depois de gozar ou se você deixar claro que não vai ser a sobremesa.

Preguiça das horas de telefonemas, gtalk e Skype. DMs e Scraps ocultos.

Vá ver a criatura faminta.

Mas, por favor, praticidade.

1 – Não quero ser comida por esse ser, nunca

Marque um almoço. Conversa educada, rápida, no meio do dia atarefado. Vá ao self-service. Atenda o celular. Vá com a roupa que estiver. Dê um tapa nas costas, e vá embora.

Simples: educada, prática, mas não quer ser comida.

2 – Não sei se quero ser comida por esse ser, hoje

Você quer saber muito sobre a pessoa, acha o papo ótimo, mas tua vagina ainda não bateu palminhas (talvez nunca o aplauda). Marque um café, depois do trabalho. Café. Desses que fecham cedo. Não é jazz, nem bistrô (vamos pular o auto-engano?). Cafezinho de esquina. Vá com a roupa do trabalho e deixe a conversa acontecer. Fale sobre teus sonhos, gargalhe sem pensar, conte o absurdo da tua conta de celular ou que você aprendeu ontem a diferença entre vintage e retrô. Vale pedir opinião sobre a compra do carro, a doença da tia, o medo de tsunami.  Altas chances de virar amizade, amor ou tédio.

Possibilidade de pular pra algo mais hot, se o café despertar o teu estômago (quem já teve seu cappuccino temperado com canela, por um faminto, sabe do que estou falando).

Mas, se nada acontecer, você vai embora feliz, depois de um bom papo, sem ter sido uma refeição com dúvida (sabe bicho meio-vivo que reluta a cada vez que recebe uma garfada do comensal? É assim como vejo a cena)

3 – É o máximo, né?

Ex incrível, amigo apaixonado, affair de amiga e tudo mais que pode significar fria (vou pular essa parte, sempre sabemos quando não é pra dar pra alguém), vá tomar um café no meio da manhã! Óbvio que a pessoa é bacana e importante pra você. (Vou lá discutir critério de carinho da mulherada hoje?) Mas se for dar por caridade ou algo que depois te faça mal, me manda um e-mail por favor? Fico pensando se é possível um modelo de ONG do sexo autodestrutivo…

4 – Gostoso

Você viu e quis ser comida inteirinha. A bunda é grande e durinha. Você adora como ele coloca o garfo na boca!

Escroto, safado, burro, pobre?

Feio, estilo nada a ver?

E se as meninas me vissem com ele?

Tem vagina como você?

Zzzzzz.

Se não for fria (já falamos sobre isso), insinue que você precisa relaxar, conduza a conversa para que o encontro seja um drink: whisky on the rocks, na casa dele. Goze e, por mim, aperte bem aquela bundinha! E vá embora quando terminar.

5 –  É que já rolou o café – ou o whisky – e foi incrível

Jantar: esse aí merece uma refeição completa.

E aí, como você vai querer ser comida hoje, sobremesa? Hummmmm.

Se os códigos de conduta existem, pra que tanta úlcera e terapia, meninas?

Use camisinha, mantenha teu cérebro ocupado com problemas graves e teu coração livre pra quando o encontro nada cotidiano acontecer.

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  1. Filipe Saraiva

    Nossa, adorei o post, muito bom.
    A blogosfera precisa de blogs assim, bem resolvidos e tal.

    Massa meninas, parabéns!

    Responder
  2. ÓTIMO!! ADOREI LER!

    Responder
  3. Pingback: O que eu quero comer hoje? (Ou, eu quero ser comida hoje?) (via todasnos) | Beto Bertagna a 24 quadros

  4. SENSACIONAL!

    Responder
  5. Magali é gênia! ;-)

    Responder
  6. Pena que me casei antes de ver este post…faz um texto deste pra casadas??? rsrsrsrr
    Adorei!!!

    Responder
  7. SENSACIONAL E SIMPLES ASSIM, PQ COMPLICAR TANTO?

    Responder

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