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Girls Just Wanna Have Fun! (NOT)

Publicado em

Por Cyndi Lauper


–  Oooh sapatona de bigode, fala ai sua filha da puta?

– Ooooh fumo, como vai a vida vagabunda?

Aff… Não, nós mocinhas não conseguimos nos tratar assim (pelo menos no mundo que eu vivo). Somos mais adeptas do Flor, Amor, Xuxu, Queridona…. Filha da puta só quando nos referimos a quem merece o título…

Calma, não estou propondo sair por ai chamando as suas fofas favoritas de piranha, só fico me perguntando por que é tão difícil se divertir em bando e expor nossas fraquezas para o grupo? Já explico.

A mídia divulgou recentemente uma pesquisa realizada pela antropóloga Mirian Goldenberg sobre a cultura da risada. E olha só mais uma travinha feminina que eu ainda não tinha descoberto:

“De todos os achados de seu levantamento, o que mais chamou a atenção da pesquisadora foi a diferença entre os gêneros: o brasileiro ri bem mais do que a brasileira – 84% dos homens ouvidos disseram rir muito, enquanto 68% das mulheres disseram o mesmo. Além disso, mais da metade das entrevistadas (60%) confessou que gostaria de rir mais. Outra diferença foi o olhar de cada um sobre quem ri. Os homens não conseguiram apontar nenhum defeito em quem dá risada o tempo todo. Já elas foram categóricas: quem ri à toa é bobo, idiota, inconveniente e inoportuno. Para elas, os mais fechados mostram seriedade, sobriedade e impõem respeito.

E por que, afinal, as mulheres são mais sisudas? A explicação dada pelas próprias entrevistadas de Mirian, autora dos livros “Toda Mulher é Meio Leila Diniz” e o recém-lançado “Intimidade”, é que rir demais pode ser mal visto pela sociedade. Pega mal até profissionalmente. “Elas temem não parecer sérias”, diz. A antropóloga acredita que o riso é uma construção social. E que as mulheres são criadas desde a mais tenra idade para a discrição. O riso é contido nas meninas até durante as brincadeiras. “Enquanto os meninos brincam de forma expansiva e lúdica, cercados de super-heróis e rolando pelo chão, as meninas cozinham em panelinhas imaginárias, sentadas e comportadas”, explica Mirian.” (leia mais aqui)

Tá, já brinquei de panelinha sentadinha comportada, mas também de polícia e ladrão, apaguei padrão de casa (desligar a chave de força de uma casa e sair correndo), roubei amoras e invadia residências abandonadas para fazer festinhas (nossa essa vai para o Wikileaks…).

Também ria muita com a minha mãe em casa, que é mestre em falar bobagem e tem a gargalhada mais gostosa ever… (Mas confesso que tinha vergonha quando ela ria das cassetadas do Domingão… ai gente, eu tenho um grau de vergonha alheia que é maior do que minha vontade de rir… sou reprimida?)

Bom, continuando…

Escutei depois umas conversas na TV repercutindo a pesquisa e falando que mulher quando se junta não sabe rir do ridículo, brincar, se divertir, pura e simplesmente como os meninos num domingo de futebol ou numa tarde de videogame. Que a gente ou se junta para falar coisa séria, reclamar do mundo, falar de filhos e claro, xingar os espouuusos, amantes, ficantes ou filhos da puta que nos deixam irritadinhas…

Clarooo que a minha primeira reação foi de preguiça… zzz… esse povo não conhece as minhas amigas…. Mas com alguns segundos de flashbacks cinematográficos, veio enfim uma ruga na testa. Será?

É meninas, não sei para vocês como é, mas acho que sim, em grupo, cinco mocinhas reunidas tem poucas opções… acho que morro de rir falando de sexo com as amigas e dividindo detalhes sórdidos, mas, fora isso, o mais normal são papos mais sérios, cabeça, sobre o mundo, sobre as eleições, projetos para o futuro, sobre chefes opressores e machistas, salários desiguais… enfim…. a vida. E sim, sobre eles e os problemas com eles…

Faça um teste. É muito mais fácil reunir um grupo de amigas para colocar uma quinta no colo porque esta acabou de levar um chifre ou terminar um namoro do que juntar as fab five para jogar buraco, pular corda, ir no sex shop ou what ever… Por que somos assim???

Por que não podemos achar graça de nós mesmas, fazer piada com coisas pequenas sem precisar do Woody Allen para nos fazer rir? Por que somos tão sérias e tão apegadas a problemas quando nos reunimos em grupo?

Não convenci? Então coloque nessa roda aquele querido casal de amigos gay ou seus amigos-irmãos que te conhecem há séculos…. Me digam se o papo não fica mais leve, mais escrachado e que as risadas fluem com mais facilidade.
E os amores não valem, porque segundo a mesma pesquisa, nós ainda temos tendência a reprimir os nossos queridões quando eles estão falando coisas idiotas, fazendo brincadeirinhas bobas, como se fôssemos mulheres muito adultas para rir de coisas à toa.

Por que minha gente? Por favor, me digam que estou errada e me convençam do contrário.

Beijo SUAS LINDAS ou melhor SUAS VAGABAS

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