Assinatura RSS

Não é como fazer xixi em pé

Publicado em

Por Angela Bismarchi

Não sei se é porque a maioria das casas de entretenimento são propriedades masculinas ou se é pela confusão que se faz de direitos iguais com tratamentos iguais entre os sexos, mas que existe um grande equívoco quanto à diversão para mulheres, ahhh isso existe!

Um dia desses fui a um clube das mulheres para matar a minha curiosidade e me divertir com minhas amigas e o que assisti foi exatamente a um show de striptease tal qual em um filme para homens, só que com mocinhos no palco e não mulheres. Sim, um show de bizarrice, grosso modo.

No começo do show, os rapazes entram fantasiados, geralmente de médico, cigano, policial e outros imaginários masculinos (é porque só um homem pode achar que isso nos traz virilidade) , daí começa a música e… se preparem meninas é de abrir o queixo e querer sumir… eles puxam uma mulher para o palco, uma mulher qualquer da plateia, a tacam na parede, passam a mão em suas partes íntimas, dão tapas na sua cara, puxam o seu cabelo, sentam no seu colo, roçam seu membro nela, a apalpam, expõem-na  ao ridículo do sexo explícito com roupa e terminam com aquele sorriso no canto do rosto, achando que estamos todas no extremo da excitação.

É ai que eu questiono até onde os homens são desentendidos ao ponto de acreditar que nossos sentidos são estimulados como os deles no simplório: tato e visual e até onde nós mesmas não queremos ser simplistas a esse ponto, achando que assim seremos igualadas a eles?

Não é nos anulando, anulando nossas diferenças que alcançaremos os mesmos direitos que os homens, direitos iguais não significa tratamento igual em tudo, afinal, nós não somos iguais. Existem diferenças biológicas, químicas, físicas, psíquicas que não podem ser descartadas e nem queremos isso.

Pra que abrir mão do galanteio, da sedução, dos arrepios na nuca quando nos deparamos com um rapaz que sabe o momento certo de te tocar com firmeza e o momento exato de te soltar com delicadeza? Para ser vista como uma mulher moderna, independente e “racional”? Então, para ter os mesmos direitos, ser feministas, é preciso abrir mão do feminino? Só seremos mulheres feministas se aprendermos a fazer xixi em pé?

Não precisamos anular sentimentos, anular nossas sensações, nossos prazeres para sermos vistas com respeito. Só alcançaremos de fato nossa independência e nosso devido respeito quando percebermos – e perceberem – que somos diferentes, que somos mais complexas que tudo isso. Só teremos um divertimento de qualidade quando levarem em conta nossa real vontade ao abrir uma casa de entretenimento como essa. Que precisa passar sim pelo erotismo, pela pegada, pelo suor etc. Que precisa de uma virilidade como nós mocinhas gostamos de ver, sem muito rebolado, sem se sentir tão ridícula na frente das amigas e sem levar aquilo demais na brincadeira, como esses eventos acabam sendo para boa parte de nós.

Talvez algo que misturasse uma (mesmo que falsa) sedução, galanteio, que nos fizesse sentir desejadas, que nos surpreendesse ou ainda que fosse apenas sexo pago, mas que fosse mais elegante, discreto, mais um ambiente de festinha privado e menos show de calouros…

Difícil? É… não disse que seria fácil nos satisfazer, mas estamos dispostas a ajudar com várias dicas. E aí? Quem está disposto a tentar?

Talvez os ensaios da TPM sejam uma boa dica de por onde começar….

PS: Um pedido: adoraríamos entrevistar um garoto de programa que atendesse só meninas para matar nossa curiosidade. Ou ainda, meninas que já pagaram por sexo.

Anúncios

»

  1. Ensaios de Wagner Moura e Selton Melo – misericórdia! Quero tudo!

    Responder
  2. Amiga, temo em concordar com vc.
    Eu mesma já fui em festinhas com strip tease e tudo mais, porém, não acho o homem tão sexy em um quanto uma mulher.
    Acredito que mesmo sendo uma cada de mulheres o estilo serva mais a ala gay masculina do que feminina. É o mesmo caso das revistas de homens pelados. Para nós, mulheres, não tem graça nenhuma ver um homem nu e de pau duro.
    Ao contrário do que se pode pensar, uma mulher molha mais a calcinha com uma imagem subjetiva (um homem de cueca ou uma foto de beijo excitado por exemplo) do que vê-lo nu.
    Realmente não temos a mesma maneira de nos excitarmos, pois assim como nossos próprios orgãos sexuais, não somos muito “expostas”, e muito menos “visuais”.
    Abraços.

    Responder
  3. Ops… escrevi coisa errada: onde se lê “Acredito que mesmo sendo uma cada de mulheres …” seria “Acredito que mesmo sendo uma casa de mulheres…”.
    Sorry.

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: