Assinatura RSS

Não somos e nem queremos ser

Publicado em

Por Beatrix Kiddo

A edição de novembro da revista TPM me chamou a atenção com a chamada na capa: “A mulher é o novo homem?”.

A reportagem contava com textos de diferentes pessoas, cada uma dizendo o que pensava sobre essa ideia. O que mais me identifiquei foi o da jornalista Nina Lemos, que afirmou com segurança “Lá em casa, livros de política convivem pacificamente com a minha coleção de esmaltes”. E me pergunto, por que seria diferente?

Demorei muito tempo pra entender que vaidade não é sinônimo de futilidade. Que uma pessoa pode se cuidar, estar sempre arrumada, sem ser uma patricinha alienada. Mas isso será tema de outro post. Só quero ressaltar a parte da feminilidade. Mulheres não precisam ser menos femininas para serem mais fortes e conquistar espaço antes só masculinos.

Não, não somos os novos homens e nem queremos ser. Uma mulher que entende de política, economia e futebol, com certeza não quer ser um homem. Uma mulher que tem uma vida profissional de sucesso, com certeza não quer ser um homem. Uma mulher que trabalha fora, cuida da casa, dos filhos, do marido, com certeza não quer ser um homem – mesmo com todas as dificuldades do seu dia-a-dia.

Tudo isso é, sim, ser muito mulher! Por que agora conseguimos alcançar alguns cargos majoritariamente masculinos significa que estamos sendo mais homens? Por que aprendemos a nos defender, a não ficar quietas, somos menos mulheres?

Não, pelo contrário. Significa que depois de tanto tempo, continuamos no longo caminho para alcançarmos os nossos direitos. Estamos sendo mulheres – com todos nossos defeitos, nossas qualidades e nossas diferenças – e conseguindo conquistar, aos poucos, nosso espaço.

Ao contrário do que muitos pensam, não queremos exterminar os homens e tomar o lugar deles e dominar o mundo. Nem queremos ser os homens.

Uma mulher que tem o lado racional mais forte é mais masculina? Não, é uma MULHER com um lado racional mais forte. Não é porque, de um modo geral, as mulheres têm o lado emocional mais aparente que não somos racionais, que não podemos equilibrar o emocional e o racional, que não podemos ser fortes, ser rígidas quando necessário, doce quando for o caso, ocupar “cargos importantes”, chorar no banheiro do trabalho quando dá aperto no peito, tudo ao mesmo tempo.

Quer dizer que um homem mais sensível é meio mulher? Não mesmo! Ao contrário, homens que não reprimem o seu lado sensível costumam ser muito mais interessantes e atraentes.

Aliás, acho uma pena que muitos homens ainda não cedam um pouco mais ao emocional. Eles não sabem o que estão perdendo! Não sabem como pode fazer bem ser mais carinhoso com as pessoas, fazer agrados, chorar sem medo, dar um bom abraço… E se fosse pra seguir a mesma lógica, a minha dica seria “homens, sejam mais mulheres”.

Não, não queremos ser o novo homem. Somos, cada vez mais, novas MULHERES.

Anúncios

»

  1. Gostei! Concordo com você Beatrix Kiddo. Bj.

    Responder
  2. Acho que o problema todo está nessa divisão “femino vs masculino”. O que é coisa de mulher (tipo beleza, casa etc) e o que é coisa de homem (tipo política, esportes etc).
    Se não fosse esse sexismo, não estariam questionando se mulher é o novo homem.

    Responder
    • Bem por aí, Daní. “coisa de mulher” e “coisa de homem” são coisas que tentam impor, mas que não tem nada a ver. Obrigada pelo comentário :)

      Responder
  3. Ser um “novo” homem não é tarefa fácil. Somos esmagados pelos rótulos da grande maioria e você é um homem que chora então…Eu sempre leio e vejo as mulheres dizerem como é ter um homem sensível, que saiba tratá-las bem, que seja carinhoso com as pessoas, que saiba fazer agrados, que saiba dar um bom abraço, enfim qualquer coisa mais humana e menos carnal.
    Muitas mulheres entendem isso como sinal de fraqueza, e isso é fato!
    Talvez estejamos numa encruzilhada emocional de ambos os lados, muitas mulheres querem homens sensíveis mais não sabem lidar com eles assim como é o inverso. Mulheres poderosas assustam e muito!
    E não estou dizendo que é falta de feminilidade, e sim porque por serem poderosas nos tratam como lixo, assim como muitos homens tratam as mulheres.
    A encruzilhada dos sexos está em lembrarmos homens e mulheres que independente da posição social, seja ela diferenciada entre o homem e a mulher, o que falta é a SENSIBILIDADE de ambos os lados.
    Ainda carregamos o fardo de que Homem sustenta a casa e Mulher cuida dos filhos, mas vai falar para qualquer mãe solteira deixar a guarda com o pai que vocês irão entender o que eu digo. É quase moeda corrente as mulheres dizerem que os pais não prestam, que a criança seria cuidada pela mãe dele, etc. E que nem sempre é verdade…
    Nossa sociedade precisa aprender a ser igualitária. Igualdade humanitária nos direitos e nos deveres.
    A mudança começou agora recente, ainda vivemos com a mentalidade dos séculos passados e tabus são quebrados com muita lentidão porque a sociedade evolui com muita lentidão
    Cabe a nós “pessoas modernas” (coloco em aspas porque é estranho dizer moderno se ainda pensamos como nossos avós) começar a encarar as diferenças como normais e entender que na relação à dois tem sonhos, vontades, desejos dos dois e individuais.
    Que pessoas sensíveis precisam de ser ouvidas, compreendidas e aceitas (de ambos os sexos). Que as mulheres sejam vistas como mulheres e homens como homens mas tendo sempre o foco que todos somos humanos e portanto imperfeitos, propensos a erros mas também de acertos.

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: