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As mulheres e o mundo machista da política

Publicado em

Por Margaret Thatcher

Analisando as mulheres que se destacam na política não vejo nelas traços comuns à maioria das mulheres, não aquelas das quais estou acostumadas a conviver, que gostam de se arrumar, que andam com certo rebolado, que tem um tom de voz mais agudo e menos “gritado” por assim dizer. Não, na política elas não são assim, ou não podem ser. Não que sejam todas corruptas, sem caráter, vergonhosas… Algumas até são, mas não vem ao caso. O que vejo são mulheres “masculinizadas”, de certa forma até grosseiras, dispostas a passar por cima de tudo para conseguirem o almejado. Mulheres que deixaram de lado características que socialmente são consideradas femininas, e por isso fraquezas, para competir (literalmente) de igual pra igual com os homens, em uma briga selvagem.

Isso não quer dizer que mulheres devem ser todas “super femininas”, só que essas não têm espaço na nossa política. Um exemplo recente é a deputada federal do Rio Grande do Sul, Manuela D´avila, conhecida por sua beleza e juventude. Qual programa de televisão deu espaço pra ela falar da sua vida pública? Qual dos seus projetos se tornou conhecido? Outro exemplo recente é Marcela Temer, nem tanto o estardalhaço por ela ser tão bonita, como se isso fosse crime político, mas por esse pormenor se tornar mais relevante que nossa primeira presidenta e pelo infeliz comentário de seu marido, nosso vice-presidente, ao compararem-la com a primeira dama francesa Carla Bruni: “Marcela é discreta”. Então Carla Bruni é indiscreta por ser mais ativa em seu país? Por ter voz perante o Governo? Barbies não falam? E a declaração da própria Marcela em entrevista ao Estadão: “Tenho bem claro meu papel: sou a esposa do vice.”

As poucas que vi tentando fazer diferente ainda não conseguiram o destaque, porque foram engolidas pelos homens. É isso mesmo, a política ainda é domínio dos homens.  Eu não sei se é porque quando elas se mostram ternas, humanas, sentimentais, mas com a fibra de uma mulher, elas assustam aqueles homens que, como estão em maioria, as engolem. Não sei, essa é só uma ideia. Mas explicaria porque as “masculinizadas” conseguem um lugar ao sol.

Numa análise fria, sem ideais políticos, quem de nós pode se orgulhar da mulher e política Marta Suplicy, por exemplo? Ela chegou à Prefeitura de São Paulo, maior Estado do país. Foi Ministra do Turismo no Governo Lula e agora eleita senadora, mas o único feito do qual me lembro é a celebre frase: “relaxa e goza” quando foi questionada como ministra sobre os problemas aéreos daquela época. Uma pena, pois quando candidata à Prefeitura, me recordo da minha própria torcida por ela, pois sua biografia profissional me fazia crer no símbolo de uma verdadeira mulher no poder. Uma mulher liberal, psicóloga, sexóloga, com pós graduação no exterior, esclarecida, carregada de sentimentos e ternuras, uma mulheres que, ao ser questionada como representante pública, se sensibilizaria com as dificuldades de seu povo, como uma mãe se sensibiliza com a dificuldade de um filho, que buscaria soluções até onde não existe, em um estilo Mulher Maravilha que só nós podemos fazer.

Além da Marta, um caso bem específico – que poderia ter sido nossa primeira mulher “mais feminina” de destaque na política – enumero aqui outras como Heloísa Helena, Jô Moraes e a nossa própria presidenta, que aprenderam a se impor por meio de vestimentas e um modo de agir agressivo, única maneira que encontraram para ganhar votos e serem respeitadas como políticos. Usam de uma tática enérgica para amedrontar os homens com seu modo de falar e agir. Não que isso seja um erro, estou aqui apenas constatando que se elas fossem mulheres mais “femininas”, “delicadas”, não teriam chances nesse mundo machista.

Não é pelo gênero que ganhamos às eleições, como tentam maquiar. Dilma só está lá porque o Lula quis, não por vontade do povo, mas pelo messianismo ao Lula. Não que isso tire o marco político da questão, não que isso não nos faça ter esperanças de uma mudança. Pode-se sim ser a transição da mulher submissa para a mulher independente, mas vai depender do que será feito por ela lá no poder e não pela eleição ganha.

Espero que a vitória de Dilma traga mais coragem às mulheres de tentarem a vida pública, que mais mulheres participem ativamente do poder. Mulheres-mães, mulheres-advogadas, mulheres-jornalistas, mulheres-policiais, mulheres-dona de casa, mulheres-professoras e tantas outras. Que todas vejam a real importância de ir lá e fazer e não esperar que os homens façam por nós. Existem muitos partidos que não conseguem preencher nem a cota mínima exigida de mulheres concorrentes em cargos eletivos, isso precisa mudar. Precisamos de mulheres no poder sim, de mulheres que farão a diferença e irão nos orgulhar! Mulheres de todas as formas, mulheres plurais que somos.

Ups.... sem exageros também né?

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