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MEA CULPA

Publicado em

Por Anna Wintour

Eu confesso!

Tenho menos paciência com mulheres do que com homens.

Podem atirar todas as pedras necessárias. Eu assumo aqui um vício machista.

Eu, eu mesma, estudada, feminista, viajada e metida a escrever sobre as coisas.

Me impressiona, no meu dia a dia, a minha paciência e capacidade de compaixão em relação aos homens e não às mulheres. A começar pelo estagiário. Sim, ele mesmo, que está aqui para aprender, mas que consegue atrasar a vida, enrolar, esquecer de fazer as coisas e ainda mandar tudo fora de ordem. Aquele que faz a mesma pergunta vinte vezes, que esquece coisas que devia ter anotado na reunião e que passa o dia rindo no MSN.

“Tadinho, ele tá aprendendo. Não entendeu direito o que eu falei. Não tem a mesma prática. Não consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo. Não tem o pique de trabalho ainda. Gente, ele é tão menino, um fofo.”

E ela, a estagiária? “Não acredito que essa menina não prestou atenção no que eu falei. Claro que ela escutou quando eu disse que era para entregar hoje às 15h. Lá vem ela com drama por conta do namorado de novo e me entregando as coisas todas erradas. Nossa que menina boba, devia ser mais madura nessa idade. É claro que ela dá conta, eu dou!”

Faço isso frequentemente. Não verbalizo, mas me pego sentindo.

Tenho muito mais amigos lerdos, esquecidos, folgados e jacus, do que amigas. Não tenho tanta paciência assim com mulheres lerdas, esquecidas, folgadas e jacus.

Meu amigos podem errar mais, minhas amigas menos. Elas têm menos crédito para gastar no meu livro de pesos e medidas. Eles podem esquecer de me chamar para tal festinha que são facilmente perdoados, elas não. Eles podem falar mais do que deviam para alguém e serem acolhidos como uns “sem noção”. Elas não, elas falam demais e são tachadas, no mínimo, de fofoqueiras e não raras vezes de víboras.

Assumo a mãezona com os meninos na maior facilidade. Paciência e tolerância fluem com mais leveza. Com elas jogo mais pesado.

Sou das que afirmo que prefiro trabalhar num ambiente masculino, com menos disputas (mas acho que isso é assunto para outro post).

Por que meu Deus? Será que tem algo a ver com aquele post das risadas que li por aqui?

Não sei bem explicar, só sei que a história se repete com estagiárias, amigas, primas, irmãs, tias, médicas, faxineiras, garçonetes, aeromoças etc.

Peço desculpas às que já ofendi com a intolerância e registro aqui minha vontade de mudar. Acredito que não sou a única.

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  1. Realmente você não é a única, porque me reconheço em algumas das atitudes que você falou. Na minha opinião, essa diferença vem daquela mania que nós, mulheres, adquirimos quando nos tornamos mais independentes e críticas: achar que os homens são “menos” capazes que a gente em muita coisa. Aí passamos a achar que eles precisam de mais condescendência do que as mulheres, que, vistas por este mesmo prisma, já “deveriam” ter aprendido a se virar em mil e ser super em tudo. Nunca me peguei bancando a mãezona com os homens com quem já trabalhei, mas confesso que prefiro um ambiente mais masculino também [ok, podem me matar]. Beijos, adoro o blog!

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  2. Te entendo perfeitamente…

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