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O aprendizado nosso de cada dia

Publicado em

Por Ana Maria

Confesso que, apesar de me identificar muito com o feminismo, só estou aprendendo mais sobre ele há bem pouco tempo. Não sou uma feminista que leu muito sobre o assunto, que conhece todas as personagens mais importantes do feminismo, que tenha um baita embasamento teórico, uma história de lutas, etc. Por isso, alguns podem não me considerar uma feminista, mas acredito que tenho atitudes feministas, pelo menos.

Mas o post não é pra falar sobre isso. É pra falar sobre esse aprendizado que estou tendo. Descobri que sempre fui muito mais machista do que poderia imaginar. Ao mesmo tempo, tinha muitas atitudes feministas, sem nem ter ideia, também.

E, hoje, estou aprendendo, descobrindo, crescendo. Estou treinando o meu olhar pra enxergar coisas que, antes, passavam desapercebidas. Principalmente, alguns “pequenos machismos”. O machismo está tão enraizado em nosso cotidiano que não é raro passar desapercebido pela maioria.

Da mesma forma, comecei a entender por que certas coisas que, para mim, podem ser absurdas não são exatamente “contraditórias” ao feminismo – o que não significa que sejam feministas, que estejam de acordo com os ideiais do feminismo. Uma observação: algumas coisas eu já considerava absurdas antes mesmo de entender o que é machismo e o que é feminismo.

Pois é, justamente pelo fato do machismo estar tão presente e passar desapercebido, que feministas costumam ser consideradas exageradas. Como eu mesma já achei um dia – antes de eu entender o que era feminismo, provavelmente por isso.

Hoje, entendo um pouco mais. Mas sei que ainda tenho muito o que aprender. Tenho orgulho de aprender um pouco a cada dia. Tenho constrangimentos por me ver, ainda, tendo algumas atitudes machistas sem perceber. Fico constrangida quando me vejo diante de uma situação que não consigo entender o quanto e por que deveria me incomodar com ela – ou não.

Fico muito aflita com o fato de não ser mais ativa, escrever, falar, participar mais, ser mais presente na construção dessa história. Ao mesmo tempo, não me sinto capaz para ser mais presente, já que ainda tenho tanto o que aprender. Embora, acredite que todas as pessoas que se interessem tenham capacidade e importantes colaborações. Afinal, acredito que a troca é uma das mais importantes formas de aprendizado.

Me sinto péssima quando fico sem reação em situações que me incomodam profundamente no dia a dia. Por exemplo, gosto de sair pra comer fora com meu namorado, um dos meu programas preferidos. Em mais de um lugar, passei pela mesma coisa: o garçom simplesmente ignora a minha presença. “Mais alguma coisa senhor?”, “Já escolheu, senhor?”. E se meu namorado responde não, não tenho nem chance de dizer que EU quero “mais alguma coisa”.

Odeio quando me calo em situações ainda mais próximas, da minha intimidade – talvez por isso mesmo me cale.

Mas estou aprendendo a aprender. Aprendendo a errar, observar, aceitar, criticar, mudar de ideia. Deixo aqui, então, o meu desabafo. Também, meu agradecimento a tantas pessoas que me ajudam – grande parte nem imagina o quanto, muitas nem sabem quem eu sou. E, ainda, o meu recado pra quem está num caminho parecido com o meu: vamos continuar, que vale a pena. A cada coisinha que aprendo, sou um “tantão” mais feliz.

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