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Será que sou uma vadia?

Publicado em

Por Natalia

Com toda essa história da SlutWalk, surgiram muitos questionamentos. Eu gostei da ideia de cara, nem tinha passado pela minha cabeça que não era um baita movimento legal. Mas, claro, não foi assim com todo mundo.

Li textos com dúvidas importantes e outros que tiveram uma boa repercussão, mas que discordo de alguns pontos. E li por aí mulheres dizendo que não sabiam se queriam ir na marcha porque “não são vadias”.

Isso tudo me levou a uma pergunta: mas, afinal, o que é ser uma vadia? Quem determina isso?
Se uma mulher pra um número X de caras em X tempo, ok. Mas se ela pra um número Y em Y tempo, ah, é vadia, certeza! Se ela usa uma saia três dedos acima do joelho, ok, mas cinco dedos acima do joelho, imperdoável, sua promíscua!Essa ideia de vadia é muito subjetiva. Quem decide qual o limite para ser uma mulher “livre” ou uma “vagabunda”?Claro que quando alguém fala em alguma situação específica “aquela puta” entendo o que a pessoa quer dizer. Talvez não concorde, não ache “aquela mina uma puta”. Aí é que está a questão.

Imagino que tenha gente que me ache vadia por não ser mais virgem há um bom tempo sem nunca ter sido casada. Não vou sofrer com isso, por mais que adore passar uma “boa impressão”.

Vim de uma família que valoriza a mulher, que segue princípios feministas e tem atitudes feministas. Mas sempre fui ensinada a “não ser uma vadia”, a “me valorizar”, pois se usasse um determinado tipo de roupa não iriam me respeitar, se me relacionasse com determinado tipo de homem, não me levariam a sério e nunca conseguiria um parceiro/namorado “legal”.

Ainda hoje, isso faz parte de mim. Não consigo usar uma roupa um pouco mais curta, mais decotada, mais “provocante”. Me sinto uma vadia.

Mas e se eu quiser dar (porque vadia não transa, nem faz amor, só dá por aí) pra um número Y de caras? Eu vou ser uma pessoa pior por isso? Isso significa que eu não tenho o direito de dizer não prum cara? Tenho que aceitar qualquer um que queira me comer?

A marcha é pela direito de escolha. Pelo controle do seu próprio corpo. Pelo direito de ser “vadia”, de ser “santa”, de ser humano, sem violência. E essa é uma causa de mulheres e de homens.

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  1. No meu ver existe um equivoco primordial por trás disso(e da afirmação do policial).

    A mulher vitimar de violência sexual, não é a mulher que anda semi-nua ou é “provocante”, mas sim a mulher vulnerável. Quando o sujeito sai de casa com más intenções, ele vai buscar oportunidades de realizar essas más intenções. Caso contrário, teriamos epidemias de estrupos em praças públicos e em praias. Para o tarado, a roupa da mulher é o último dos quesitos, e o que vai “brochá-lo” provavelmente é uma viatura da policia que passa numa rua escura e vazia.

    Como a relação causa-efeito entre a roupa da mulher e o estrupo é quase inexistente, se esvazia o sentido da própria marcha, é um equivoco construido sobre uma afirmação equivocada.

    Acredito que o policial tenha exagerado, e talvez tenha tentando desafabar é sobre as epidemais de acusações de assédio sexual falsas ou mal fundamentadas, que viraram moda nos países de primeiro mundo como o Canadá, abarrotando as delegacias.

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    • Sobre a roupa da mulher ser o último dos quesitos, vc tem razão, afinal sabemos que não são apenas mulheres de saia curta, ou com decotes que são violentadas. Mas é comum ouvir pessoas que falam de pessoas violentadas como se quem sofresse a violência tivesse culpa, tivesse provocado (a provocação, na cabeça dessas pessoas, não precisa ser só a roupa, pode ser estar sozinha em algum lugar, por exemplo). Do mesmo jeito que procuram justificativas pra violência doméstica, “ele te bateu pq vc encheu o saco dele, deixou ele irritado”. Acho que a afirmação do policial foi muito equivocada, pra dizer o mínimo. Mas acho que a marcha não é um equívoco. A marcha é para nos manifestarmos contra a violência e contra essa ideia (presente na fala do policial) de que a vítima tem culpa – por qualquer violência contra ela, estupro é uma delas, é o extremo – justamente por ser um pensamento muito comum (pelo jeito não só aqui no Brasil, né).

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  2. Acho que tem uma situação ainda mais perversa, que é o dado de que a maioria dos estupros não são cometidos por um sujeito mal encarado, encapuzado, que leva a mulher prum beco escuro. A grande maioria dos estupros são cometidos por homens conhecidos. Maridos, namorados, carinha com quem a mulher marcou uma “date”, colega de trabalho… e aí, a situação fica muito mais difusa para a mulher, imagino eu. Uma mulher que sai pra um encontro com uma saia curta e um decote não está dizendo que, sim, meu caro, vamos fazer sexo no fim. Não necessariamente. E nessas situações, se há um episódio de violência sexual, a mulher fica muito mais sujeita a se aceitar como culpada, pelo menos em parte, pela violência sexual sofrida. Oras, muitas vezes a própria mulher nem considera que foi estuprada! Muitas vezes a coerção não é estritamente física, ou às vezes, nem envolve dominação física. Ainda assim, se uma mulher é coagida a fazer sexo sem querer fazer, ainda que ela não tenha sido obrigada fisicamente, não é estupro? Então há, na minha opinião, uma questão na marcha, que não é que a mulher que se veste como “vadia” está se expondo a uma situação de risco só quando anda na rua, quando “chama a atenção”. Situações de risco, bem, todos nos expomos, quem nunca andou na rua falando ao celular? Se for roubado, bem, é um risco que se correu. Mas aqui não se trata apenas – novamente, na minha opinião – de a mulher se colocando ou não numa situação “de risco” por conta da roupa dela, mas de uma cultura de milênios que consegue colocar a culpa da violência sexual na própria mulher, usando artifícios esdrúxulos, por exemplo, a roupa “de vadia” dela. A questão é usar artifícios que são secundários na discussão para “amenizar” a culpa do perpetrador da violência, ao ponto de virar o jogo e torná-lo inocente, transferindo a culpa para a pessoa que foi vítima.

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    • concordo com voce rodrigo. eu mesma fui coagida a fazer sexo para poder sair do motel,pois estava com medo dele me matar ou estuprar, entao eu consenti o sexo e fiz tudo que ele mandava, como dizer: eu quero fazer isso com voce e quero perder a minha virgindade com voce”, mas eu nao queria ter consentido. mas era melhor do que morrer. eu so beijei ele por causa de uma carona. uma carona com um desconhecido e eu sei que fui muito irresponsavel da minha parte, mas quem procura acha, nao é mesmo? pois eu procurei por ir pra uma festa sozinha e achei esse cara que parecia legal e disse que ia me dar a carona e eu acreditei que essa carona nao ia ter nada em troca depois, pois ele tinha “aceitado” eu nao querer mais transar. fui para uma festa e la eu conheci esse cara. no começo ele me beijou e eu mal retribui, mas acabei aceitando. depois ele me chamou pra sair com ele para algum canto e eu disse que ia so por curiosidade, pois eu nunca tinha transado e queria saber como era. so que eu pensei melhor depois de um tempo e disse a ele que nao queria mais ir e ele disse que “entendeu”, que tava “tudo bem”. so que depois, quando tava indo me deixar em casa, eu pedi a ele pra me deixar perdo de casa, pois eu nao queria que ele fosse me deixar em casa pra nao saber onde eu morava porque ele era um desconhecido e masi velho do que eu, ele mudou o rumo e como e era nova na cidade, nao sabia voltar pra casa muito bem. so percebi quando ele chegou no motel. eu fiquei assustada e comecei a rir, pois quando eu estou muito nervosa eu fico com muita vontade rir. pois bem, quando a gente tava entrando no motel, eu pedi para ir pra casa e ele disse que eu ia ja, que ia ser rapidinho. entao, como nao tinha nada a fazer eu desci do carro e consenti o sexo e fiz tudo que ele mandou com medo e rindo muito, pois estava com muito medo dele me matar. ele nao usou camisinha, pois disse que era melhor sem, que dava mais prazer e como eu era virgem, era melhor pois doía menos. eu pedi pra ele colocar, mas foi em vao. ele usou esses argumentos e eu tive que aceitar. e no começo e no fim do sexo eu tive que tomar banho com ele e fazer as coisas que ele mandava e tudo isso com aluz apagada, pois eu nao queria ver nada daquilo. ele era um nojento! quando finalmente terminou, eu estava rindo de felicidade por ir para casa e ainda tive que oferecer um real na saida porque ele nao tinha. eu procurei as cameras no motel, tanto dentro como fora, para se um dia eu precisasse como prova, ter alguma prova, mas eu nao achei. na festa, quando eu disse, foi num canto sem cameras. eu fui muito idiota por ter feito isso e me arrependo ate hoje, pois nao tenho como provar que fui coagida a fazer sexo com ele pra poder ir pra casa. eu vou me passar por mentirosa, porque so da pra ver a parte que eu consenti e disse que queria fazer tanto no começo da festa quanto no motel, quando eu consenti. se eu levar isso a justiça nao vai dar em nada, pois nao vai ter como eu provar e ele nao vai assumir. vai dizer que eu queria, ou seja, a unica coisa que eu peço, é que eu nao esteja gravida porque ainda faço faculdade e estou no primeiro periodo, so tenho 18 anos e apesar da minha mae esta me apoiando, ela tambem concorda que nao tera como provar e meu pai ainda nem sabe disso. se eu nao tiver gravida ele nunca vai saber e se deus quiser, eu nao estou. eu to num beco sem saida, e o meu coagidor ainda vai usar artifícios que são secundários na discussão para “amenizar” a culpa dele ao ponto de virar o jogo e torná-lo inocente, transferindo a culpa para a pessoa que foi vítima, no caso eu, tudo porque eu disse que queria fazer aquilo com ele tanto na festa quanto no motel (relembrando que eu so disse no motel por medo e ainda estava rindo por nervosismo). nao desejo isso a ninguem e vou ficar calada ate quando der.nao quero que ninguem saiba disso nunca

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