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Slutwalk em Florianópolis: contra o machismo e a censura

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Texto e imagens de Juliana Kroeger e Fernando Evangelista 
(especial de Florianópolis, SC, publicado originalmente no Nota de Rodapé)

Mais de 300 pessoas participaram da Marcha das Vagabundas e da Marcha da Liberdade em Florianópolis na tarde do último sábado. As manifestações ocorreram simultaneamente e seguiram juntas pela Avenida Beira-Mar Norte, a mais movimentada da Capital catarinense.

Diferentemente do que havia sido combinado com a Polícia Militar, manifestantes ocuparam uma das pistas da avenida. Apesar de alguns momentos de tensão, não houve confronto entre policiais e ativistas.

O ato reuniu jovens de todas as tribos, com diversas bandeiras. Estavam presentes feministas, defensores da legalização da maconha, representantes do movimento LGBT, do Movimento Passe Livre e do Movimento Sem Terra, além de defensores dos animais, anarquistas e socialistas. Tinha de tudo, com exceção de políticos ou bandeiras de partidos.

A Marcha pela Liberdade foi convocada em todo o Brasil em protesto à repressão policial, ocorrida durante a Marcha da Maconha em São Paulo no dia 21 de maio. Depois da péssima repercussão do fato, o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou a realização das marchas favoráveis à descriminalização do uso da maconha. Marchar, portanto, não é sinônimo de apologia às drogas, mas um direito.

Direito de escolha e liberdade de expressão foram duas das principais bandeiras presentes no ato desse sábado. Por isso, os grupos realizaram as marchas ao mesmo tempo. Segundo os organizadores, a reivindicação de fundo é a mesma. O manifesto lançado em São Paulo sustenta que “a liberdade de expressão é o chão onde todas as outras liberdades serão erguidas: de credo, de assembleia, de amor, de posições políticas, de orientação sexual, de cognição, de ir e vir… e de resistir”.

Para a estudante Ana Paula Boscatti, organizadora da Marcha das Vagabundas em Florianópolis, um dos objetivos do ato é lutar contra os preconceitos. “Estamos aqui para dizer um basta ao machismo, para mostrar que as mulheres são agentes de sua própria sexualidade”.

A Marcha das Vagabundas, também chamada de Marcha das Vadias, surgiu em Toronto, no Canadá, depois que um policial disse, numa palestra sobre segurança, que as mulheres deveriam evitar se vestir como vagabundas para não serem estupradas. Pelas redes sociais da internet, ativistas em diversas cidades dos Estados Unidos, da Europa e da América Latina organizaram atos em repúdio à declaração do policial. Em São Paulo, no começo de junho, ocorreu a primeira Slutwalk brasileira.

Para Cintia Lima, 27 anos, mestranda em História na Universidade Federal de Santa Catarina, as conquistas feministas são consequência de muita luta e, apesar dos avanços, ainda é preciso ir às ruas. “Nossa ideia, com esse movimento, é desconstruir mentalidades. Ainda estamos submetidas a uma forte moral cristã, que julga nossas roupas, nosso comportamento, tudo”, argumenta. Segundo o Relatório Mundial da Desigualdade de Gênero de 2010, o Brasil ocupa a 85º posição, entre os 134 países avaliados. De acordo com pesquisa da Fundação Perseu Abramo, a cada dois minutos, cinco mulheres são espancadas no Brasil.

Autonomia sobre o próprio corpo foi uma das reivindicações mais presentes na marcha. “Piranha é peixe, eu sou mulher”, estava escrito em uma das faixas. “Se eu quisesse ser comida, me vestiria de sanduíche”, dizia outra. Os manifestantes caminharam até a Casa d’Agronômica, residência oficial do governador do Estado. Em frente à Casa, realizaram intervenções artísticas e um grupo tirou parte das roupas, para espanto dos policiais e alegria dos fotógrafos.

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