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Caça às bruxas em Gana

Publicado em

O site Care2 é uma comunidade online que divulga causas humanitárias, ecológicas, entre outras. Recebi em seu boletim a notícia abaixo, traduzida do inglês:

Na região Norte de Gana há seis “campos de bruxas”, onde mulheres acusadas de bruxaria são detidas e sujeitadas a tratamento desumano (…).

De acordo com uma representante da Suprema Corte Ganesa, Rose Owusu, há mais de mil mulheres e 700 crianças atualmente nos campos de bruxas. Em uma conferência recente sobre Direitos Humanos, uma mulher, Bikamila Bagberi, testemunhou sobre os 13 anos que ela passou presa em um campo de bruxas, onde foi torturada por se recusar a confessar ser uma bruxa.

O choque vem, por um lado, por mais um atentado aos direitos humanos, e novamente, as mulheres são as vítimas. Mas eu fiquei absolutamente chocado de descobrir que existe, como na Inquisição, um movimento organizado que persegue mulheres por serem bruxas.

Não fazia ideia que hoje em dia ainda existiam bruxas, e que mulheres ainda podiam ser perseguidas acusadas de bruxaria.

Adendo:

Depois que publicamos esse texto, alguns leitores nos enviaram links interessantes que trazem mais informações sobre casos de “caça às bruxas”.

Um deles é de uma matéria do jornal inglês The Guardian, que explica que os campos de bruxas são formados, em geral, pelas próprias bruxas (veja a matéria original, em inglês, aqui).

Segundo o jornal, elas se isolam nesses santuários porque se tornaram párias nos lugares onde moram. A maioria, provavelmente, seria morta se permanecesse em suas casas, e basta uma acusação, de quem quer que seja, para que a mulher seja considerada bruxa.

Nesses campos, várias admitem ser bruxas, e neles têm regras específicas, como por exemplo que elas só podem usar seus poderes para se proteger e proteger seus familiares, nunca para prejudicar alguém. Em outros, há rituais de purificação, conduzidos por clérigos, para que elas sejam aceitas.

O Guardian conta algumas histórias, como a da mulher que foi acusada de bruxaria pelo sobrinho, por causa da morte de um menino que parece ter, muito provavelmente, morrido de malária. Sanatu Iddrisu afirma que nenhuma comunidade a aceitaria por causa do estigma da bruxaria.

Alvos comuns de acusação são viúvas ou mulheres mais velhas, responsabilizadas por colheitas ruins na agricultura e mortes de crianças. Além disso, muitas mulheres que têm propriedades são acusadas de bruxaria, em geral pelas próprias famílias, que herdam suas casas e seus bens.

As supostas bruxas são, muito frequentemente, usadas de bode expiatório sempre que algum desastre atinge uma comunidade. Seja uma peste que mate um monte de gente ou que destrua plantações, elas são consideradas culpadas e expurgadas de suas comunidades.

Nos campos, na região norte, que é a mais pobre de um país que já sofre demais com as mazelas da miséria, elas levam vidas muito empobrecidas, sobrevivendo catando, plantando e vendendo o que conseguirem achar.

Também nos enviaram o vídeo de uma matéria assustadora sobre crianças que são acusadas de bruxaria no Congo.

Se tiver estômago, assista:

 

Rodrigo Mendes de Almeida
rmendesas@yahoo.com.br

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  1. informação interessante e o The Guardian é um jornal que eu respeito.

    Responder
  2. É incrível quando por um lado avançamos absurdamente em alguns países no debate sobre o papel das mulheres na sociedade e em outros ainda nos deparamos em coisas desse tipo, o mais interessante é ver que em um mesmo continente temo vitórias expressivas como a da Tunísia onde as mulheres conseguiram manter seus direitos e ampliá-los no período revolucionário e ao mesmo tempo temos ali do lado o Kadafi e a Otan usando estupro como arma de guerra, em outros países a mutilação genital e até mesmo o estupro corretivo…

    Responder

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