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Nem com uma flor

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As irmãs Pátria, Minerva e Maria Tereza Mirabal eram líderes do movimento de libertação política chamado Las Mariposas, na República Dominicana. No dia 25 de novembro de 1960, foram vítimas de uma emboscada enquanto iam visitar seus maridos na prisão. Levadas para o meio de uma plantação, foram apunhaladas e estranguladas, a mando do ditador Rafael Leonidas Trujillo.

Mas, ao contrário do que acreditava Trujillo, a resistência à ditadura não havia acabado. O crime contra as irmãs Mirabal causou grande comoção e levou ainda mais gente à luta das Mariposas. Em maio de 1961, Trujillo foi assassinado e a sua ditadura chegou ao fim.

Trinta e nove anos depois, em 17 de dezembro de 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas determinou 25 de novembro como o Dia Internacional da Eliminação da Violência Contra a Mulher.

Cinco anos de Maria da Penha

“Acordei de repente com um forte estampido dentro do quarto. Abri os olhos, não vi ninguém. Tentei me mexer, mas não consegui. Imediatamente fechei os olhos e só um pensamento me ocorreu: ‘Meu Deus, o Marco me matou com um tiro’”, relembrou a bioquímica Maria da Penha Maia Fernandes, que deu nome à Lei nº 11.340, sancionada em 7 de agosto de 2006, há cinco anos em vigor.

Por aqui, a nossa progressista Lei Maria da Penha, responsabiliza família, Estado e sociedade pela garantia dos direitos da mulher, prevendo ainda a elaboração de políticas públicas para resguardá-los. Com ela, o Código Penal foi alterado e permite que agressores sejam presos em flagrante ou tenham prisão preventiva decretada.

Outras medidas para proteger a mulher, como por exemplo, a saída do agressor de casa, a proteção dos filhos e o encaminhamento das vítimas e seus filhos para uma casa abrigo foram incorporadas.

A questão, no entanto, continua grave apesar de cada vez mais mulheres denunciarem seus agressores. A lei é um passo importante, mas ainda não funciona em todos os casos (a maior parte das mulheres assassinadas por companheiros ou ex-companheiros já havia registrado queixa contra o agressor). E inúmeros casos de violência e feminicídios acontecem todos os dias.

Segundo o Mapa da Violência 2010, do Instituto Sangari, “Uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil, deixando o país em 12º lugar no ranking mundial de homicídios de mulheres.”

O machismo quando chega ao ponto da covarde agressão em suas variadas formas é uma excrescência dessa cultura perpetuada em tempos conservadores e que deve ser combatida diariamente, principalmente na educação das novas gerações.

Quando nos deparamos com dados que dizem que a maioria das vítimas – 40 % dessas mulheres têm entre 18 e 30 anos – é morta por parentes, maridos, namorados, ex-companheiros ou homens que foram rejeitados por elas, revela-se a magnitude do problema.

Segundo a ONU, cerca de 70% das mulheres sofrem algum tipo de violência; a forma mais comum de violência experimentada pelas mulheres em todo o mundo é a violência física praticada por um parceiro íntimo; uma em cada cinco mulheres se tornará uma vítima de estupro ou tentativa de estupro no decorrer da vida; 80% das pessoas que são traficadas anualmente em situações de prostituição, escravidão ou servidão, são mulheres.

Quem dera, por exemplo, todo meio de comunicação como grandes tevês, rádios e portais de internet massificassem informações sobre o tema numa ação conjunta. E apontasse que não são casos isolados, são frequentes e resultado da mentalidade machista que existe na maior parte da sociedade.

No mínimo, atrairia maior visibilidade ao problema, o que já seria um importante passo para combater a violência contra a mulher.

Leia também: Uma agressão nunca vem sozinha

Em caso de violência ligue para 180 para receber orientação.

Para saber mais, recomendamos:

Campanha da ONU: Una-se pelo fim da violência contra as mulheres

Boletim do CFEMEA: Mulheres pelo fim da violência contra mulheres negras

Saiba mais sobre feminicídio

Geledés – Instituto da Mulher Negra

Portal Quebre o Ciclo

Este texto é uma parceria de Natalia Mendes do TodasNós e Thiago Domenici do Nota de Rodapé e faz parte da Blogagem Coletiva proposta pelas Blogueiras Feministas.

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