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Arquivo da tag: Direitos Humanos

Relato sobre a Reintegração de Posse no Pinheirinho

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Recebi por e-mail o relato abaixo e o vídeo. É muito, muito triste. Publicamos aqui por acharmos que as pessoas precisam saber o que realmente está acontecendo lá.

Por Paloma Franca Amorim

São Paulo, 22 de Janeiro de 2012

Acabei de voltar de São José dos Campos onde vivi uma das piores situações da minha vida.

Fomos para o bairro do Campo dos Alemães, entorno da ocupação do Pinheirinho, para tentar registrar como estava a situação posterior à reintegração de posse que ocorreu esta manhã de domingo na comunidade do Pinheirinho.

Chegamos com nossas câmeras para tentar filmar e dar apoio às famílias que perderam suas casas e encontramos diversas tendas armadas pela prefeitura e pelo governo que seriam usadas para cadastrar os moradores do Pinheirinho, de modo a oferecer-lhes alguma ajuda depois da truculenta reintegração.

Filmamos os tratores na área de entrada do Ṕinheirinho (a qual não fomos autorizados a entrar pelo cordão de isolamento da polícia militar – que fazia parte de um contingente de mais de  MIL policiais na área). Depois de cinco minutos bombas e tiros foram disparados contra todos nós (nós estrangeiros e eles moradores) que estávamos na área reservada para o recadastramento e apoio aos moradores. Mais de 400 famílias dentro das tendas tiveram de correr para fora da área para que não fossem atingidas pelo ataque da polícia (eu tenho tudo isso gravado e divulgarei amanhã pela manhã).

Crianças chorando e adultos desesperados por estarem expostos à força LETAL da polícia e por entenderem que este cadastramento não significava nada na medida em que seus pertences estavam sendo tratorados junto com suas casas no mesmo momento em que o governo de São Paulo e a prefeitura de São José dos Campos prometeram que todos os reaveriam após tal trâmite burocrático. Isto é, segundo o acordo do governo e da prefeitura, os moradores do Pinheirinho poderiam voltar para suas casas para buscar seus bens (aparelhos domésticos, móveis, roupas…) após realizarem a assinatura de alguns termos. Tenho depoimentos de pessoas indignadas e desesperadas por entenderem que além de suas casas, também tinham perdido o que estava dentro delas.

A polícia fez um cerco, não havia por onde fugir. Crianças e velhos aspirando e tossindo e chorando e exalando aquele terrível gás lacrimogêneo e de efeito moral (que pode ser uma arma letal, como foi para uma criança de apenas três anos que veio a falecer na ação da PM); alguns grupos de moradores apedrejavam as viaturas policiais em resposta e foram atingidos por balas de borracha e, garanto, por balas de chumbo. Ambulâncias do SUS começaram a chegar para atender aqueles que se mostravam debilitados diante de tal ataque. Mães correndo com seus filhos nos braços. Mães correndo sem seus filhos nos braços.

Tentaram confiscar nossas câmeras, a minha escondi num sobretudo com bolsos.

Isso tudo com muito, mas muito medo.

As tendas armadas pela prefeitura e pelo governo, portanto, foram armadilhas para aglomerar e agredir famílias indefesas que estão há 7 anos ocupando o Pinheirinho, massa falida que só está neste momento sendo reivindicada em função da especulação imobiliária tão contundente nos últimos tempos no estado de São Paulo (vide a Cracolândia na Nova Luz).

Quando estávamos saindo um grupo da comunidade do entorno pôs fogo em mais um carro (o sétimo ou oitavo que vimos até então). A guerra civil foi declarada.

No sindicato dos metalúrgicos estão acontecendo reuniões sobre a situação, focadas fundamentalmente nas ações jurídicas que poderão reverter os acontecimentos. Estivemos lá também.

Um fato: Alckimin, nosso governador, é um facínora, maior responsável político pelos acontecimentos.

Um representante do Governo Federal esteve no momento de reintegração de posse e levou um tiro de bala de borracha. O comandante da ação tomou ordem de prisão e não parou de comandar o batalhão da PM para que a liqüidação dos habitantes do Pinheirinho continuasse. A organização paramilitar da polícia anuncia um golpe militar.

As pessoas continuam na rua.

 

Crianças cheias de gás de pimenta andando pra lá e pra cá (um menininho não tinha roupas para vestir pois todas elas estavam inutilizáveis por conta de tal gás).

São quase três da manhã e eu garanto a vocês que pessoas anônimas morreram e morrerão.

Eu sou professora, acredito nas crianças como futuro deste país… que condições enquanto sociedade oferecemos a estes pequenos do Pinheirinho ficando calados e, portanto, coniventes, com este lastimável evento?

Em que condições vivem as pessoas idosas do Pinheirinho que construíram, no seio da desigualdade social, a história deste país??

Onde será empenhado o vigor destes jovens que também lá viveram?

Morte de mãe não é nada diante disso. Boa noite a todos.”

Escrevo para divulgar os acontecimentos e peço que compartilhem se for possível, pois a mídia não tem exibido a verdadeira situação dos moradores do Pinheirinho e do entorno. Hoje houve mais um confronto e descobriu-se que os hospitais não estão divulgando o número de mortes por ordem do prefeito de São José dos Campos. Também soubemos que crianças foram assassinadas pelos tiros de borrachas da PM e pelas bombas de efeito moral.
O que houve em São José dos Campos foi uma chacina que não pode ser ignorada.

Pinheirinho: desabafo

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Foto tirada na Assembléia realizada dentro da ocupação no sábado, 14 de janeiro. Este é o barracão central onde todas as assembléias eram feitas e assuntos de interesse geral eram apresentados e votados. Isso sim, uma aula de democracia!

Fecho os olhos agora e vejo o barracão central do Pinheirinho, aquele onde eu chorei na semana passada por ver a luta daquele povo, onde vi o Marrom chorar de orgulho daquele povo… onde eu vi aquelas crianças, conversei com aquelas mulheres, chorei com elas, bradei e lutei e vibrei com elas. Hoje eu choro de novo, de imaginar aquele barracao, símbolo de uma verdadeira democracia, no chão. Queimado, derrubado, destruído. Assim como nossa “democracia” hoje. Queimada, derrubada, destruída. Estou cansada, há 12 horas acordada bradando aos 7 ventos junto com milhares de pessoas que estão no twitter pedindo a intervenção de alguém que pudesse segurar a loucura da pm. Tenho em mim agora um pouco de medo ainda pelo que está por vir – porque ao contrário do que a mídia nojenta está noticiando, ainda não acabou…está só começando. Tenho também orgulho, de ver esse brasil inteiro unido por essas pessoas…não se conhecem mas estendem a mão porque se entendem irmãos. Tenho a vergonha, de ser jornalista e ter que engolir uma das maiores emissoras do país que diz ser exemplo em jornalismo, dar notícias nada apuradas e de “fontes oficiais”, como eram nos tempos ditatoriais. E sinto tb aflição pela falta de notícia de alguns companheiros que estavam lá dentro e sumiram há mais de 8 horas. Aflição por aquelas mulheres e crianças. Que eu traria pra minha casa sim, com prazer, como gostam de mencionar as más línguas. se eu pudesse e se isso solucionasse o problema da moradia e da corrupção nesse país. Dividiria com elas sim o meu pão pois foi metade do pão delas que recebi quando fui visitá-las. Essas pessoas nos sorriem com a alma. E hoje destruímos mais de 8 mil sorrisos. E criamos lágrimas, destruímos famílias, geramos caos. Aos que não entendem, ao menos respeitem. Acima de qualquer ideologia, este é um momento de muita dor pra muita gente.

Cylene Dworzak

# Eu sou Gay

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Não podíamos deixar de compartilhar aqui o projeto # Eu sou Gay!

Linda iniciativa, o projeto “nasceu para que a gente possa dizer basta. Basta de ódio, de violência, de animosidade. Este não é um projeto apenas contra a homofobia, é um projeto contra a intolerância, contra a falta de respeito a toda e qualquer minoria. Ser gay neste momento vai além de orientação sexual. Ser gay é nossa identidade conjunta em nome da liberdade de ser quem se é. Não podemos, não devemos e não vamos viver nesse ambiente de raiva.”

Independente de raça, cor, sexo , principalmente orientação sexual, levante essa bandeira e espalhe essa mensagem que, acima de tudo, é um lindo pedido de paz!

Dona Conceição: uma história que se repete

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Por Cylene Dworzak

E lá fui eu ontem aproveitar o sol da tarde pra estender roupa. Divido o quintal com outra casa, para onde recentemente se mudou dona Conceição, uma senhora de 70 e tantos anos que vive sozinha.

Enquanto eu pendurava as roupas, dona Conceição chegava do mercado com tomates, cebolas, verduras e frangos. “Dos 30 reais que o pessoal da igreja me arrumou ontem”, disse ela. Terminei minhas roupas, sentei, fumei um cigarro e dona Conceição ainda falava.

Agora, falava do marido, com quem ficara casada por quase 10 anos. “Ele saía de casa na quinta-feira e só voltava na segunda à tarde, cheirando a perfume e batom. Eu não falava nada e, quando eu ameaçava reclamar, ele ameaçava me bater”. Fui ouvindo a história de dona Conceição cada vez mais chocada.

Por todos os abusos que aquele homem cometera, por todas as vezes que os olhos dela encheram de lágrimas enquanto me contava sua história. Não escorreu uma lágrima, talvez já não tivesse mais.

“Eu mantinha as roupas dele limpas, passadas e sempre arrumadas. A casa cheirosa, comida pronta. E ele chegava, ainda depois de tudo isso, se trancava no banho e depois caía no sono. Quando acordava, saía de novo. Mal falava comigo e quando falava era gritando, ameaçando”. Não aguentou mais aquilo e voltou pra casa do pai.

Enquanto continuava contando sua vida de desgraças, dona Conceição separava de sua compra dois tomates, uma cebola e dois limões. Me deu. Aceitei, mas propus fazer uma salada e um arroz que pudesse acompanhar o frango que ela já cozinhava. Ela aceitou. Quando voltei, a cozinha já cheirava e dona Conceição fritava mandioca.

Tornou a falar. Contou que casou novamente, dessa vez com um que gostava dela. Mas engravidou e “pegou nojo do rapaz”, se afastou e, durante uma viagem dele ao garimpo, ela fugiu para o Mato Grosso. Lá, foi obrigada a trabalhar em regime de escravidão em fazendas, até conseguir fugir com o irmão. Trabalhou em casas de família e, pouco antes de ter o filho, voltou a São Paulo. Com pouco dinheiro e uma gestação complicada, o menino nasceu fraquinho. Ela cuidou, fez o que pôde, mas com 1 ano e 23 dias, por complicações de uma infecção, a criança morreu.

Dona Conceição engole a comida com dificuldade. Depois de uma pausa, me olha e diz que foi por Deus mesmo; não era pra ter filhos, teriam sofrido mais que ela. “Ruindade de homem deixa a gente mais forte minha filha. Eu era uma inocente, uma boba. Hoje tem lei que protege a mulher. Na minha época eu sofria quieta.”

Hoje dona Conceição é ajudada por um grupo da igreja que frequenta. São eles que pagam o aluguel, fazem as compras e cuidam dela. Ela sente saudade do cachorro e dos três gatos que deixou no barraco de beira de estrada onde morava. “Sei que estou melhor aqui, mas sinto falta deles perto de mim.”

Terminamos o almoço lá pelas cinco da tarde, ela insistiu que eu levasse o resto do frango. “Assim você já tem janta!”, disse ela. “E escolha muito bem, minha filha”, disse ela enquanto eu subia a escada, “Hoje vocês têm escolha!”. Olhei pra baixo, ela sorriu.

Global Women’s Rights – Um Manifesto

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Por Amélia

Nós gostamos de brincar, provocar, de nos divertir com a guerra dos sexos…

Nós gostamos de gritar aos quatro ventos que queimamos sim os nossos sutiãs e gostamos do caminho que começamos a trilhar.

Mas a realidade ainda é cruel, temos muito que caminhar…

Com a palavra: Global Women’s Rights

PS: Se acharem uma versão legendada nos avisem!


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